A vida daqueles que lutam por moradia e terra é uma constante luta pelo direito a uma vida digna. Um exemplo, é a batalha travada pelas famílias do acampamento Horto Aurora (Baixadão), na região Descalvado, pelo serviço de energia elétrica.
Os moradores da comunidade, que conta com o apoio jurídico da CSP-Conlutas, estão há meses tentando garantir a instalação dos postes de energia junto a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz, mas até o momento sem sucesso.
Ações com a intermediação do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) já foram executadas, mas ainda não tiveram efeito. Além disso, os acampados também convivem com o completo descaso da Prefeitura da cidade.
Apesar da comunidade ser composta por pessoas que trabalham na região e do Paço Municipal ser o responsável por garantir moradia e dignidade, até o momento, o prefeito Luisinho Panone não moveu uma palha para ajudar as famílias.
Carlos Daniel, uma das lideranças do acampamento, explica que a comunidade possui crianças, idosos e pessoas mais vulneráveis portadoras doenças que restringem a locomoção, além de uma criança com espectro autista.
“A gente precisava muito de uma energia limpa, sem gatos. Nós nunca nos negamos a pagar a mensalidade, mas até agora eles fazem de tudo para não levar energia elétrica pra gente”, explica o companheiro.
O problema da água
Uma outra dificuldade enfrentada pelas famílias tem a ver com o consumo de água potável. Os caminhões pipa enviados pela Prefeitura não são suficientes. Por isso, a comunidade se organizou, construiu um poço e adquiriu uma bomba para a extração da água.
No entanto, como não há a instalação de energia elétrica, o equipamento, que deveria garantir o abastecimento de água às mulheres e crianças, fica subutilizado, sem poder exercer suas plenas funções.
Regularização
A regularização dos lotes divididos entre as 56 famílias que atualmente moram no acampamento está em processo junto ao Ministério Público e conta com a orientação do advogado de nossa Central, Waldemir Soares.
“Somos em 56 famílias e precisamos urgentemente de dignidade, a gente precisa da energia elétrica instalada como todo mundo. Com nosso trabalho construímos nosso local de moradia, mas precisamos avançar”, conclui Carlos.