Familiares, amigos, ativistas e representantes de diferentes comunidades de imigrantes protestaram, na segunda-feira (27), em frente à creche em que morreu Abidulaye Dieng, de apenas 1 ano e 4 meses. O bebê, filho de imigrantes senegaleses, faleceu após prender a cabeça entre um espelho e uma grade de proteção enquanto brincava. Devido à falta de supervisão no momento, ela não resistiu, apesar do resgate.
O protesto foi marcado por muita emoção e pela exigência de justiça. Em uma grande faixa se lia: “a única proteção contra a injustiça dos brancos é o poder preto”. Afinal, foi uma criança negra, filho de imigrantes, vítima de um sistema cada vez mais precarizado.
Muito além de exigir a responsabilização dos envolvidos diretos, a tragédia traz à tona denúncias sobre como a Prefeitura de São Paulo e o governo de Ricardo Nunes (MDB) aplica sua política em relação à educação municipal, especialmente às creches, em sua maioria conveniadas.
Projeto político
Trabalhadores da educação e movimentos denunciam que este não é um fato isolado, mas sim a consequência direta do modelo promovido pela gestão de Nunes que precariza o serviço e piora o atendimento à população mais pobre, justamente a que mais precisa.
Segundo dados do TCM (Tribunal de Contas do Município), 72% dos CEIs (Centros de Educação Infantil ) conveniados não têm infraestrutura adequada para atender alunos de inclusão, além de frequentemente não contarem com profissionais formados em educação especial.
O TCM também aponta que o custo-aluno nas conveniadas é muito inferior ao das creches de gestão direta. Isso significa que há uma maior proporção de crianças por educadoras e as cargas de trabalho são mais pesadas.
Atendimento precário
O CEI oferece atendimento por 10 horas diárias. Na rede direta há dois professores por turma/dia; já na rede conveniada há somente um professor por turma, com jornada de 8 horas/dia, jornada essa insuficiente para cobrir as 10 horas de atendimento.
Com isso, nos extremos dos horários de entrada e/ou saída das crianças ocorre a situação de não se ter um professor por turma. Além do excesso de alunos, os professores da rede conveniada também recebem menos, segundo o relatório.
Nessas unidades, eles chegam a ter salários entre 25% e 38% inferior ao que recebem os profissionais de unidades diretas. Para os cargos de gestão, como diretor e coordenador pedagógico, a diferença é ainda maior, ficando entre 48% e 53%.
Esse quadro de precarização leva a um atendimento menos qualificado, sobretudo para filhos e filhas de trabalhadores, como é o caso da família de Abdoulaye Dieng, imigrantes senegaleses.
Basta de privatização
A CSP-Conlutas expressa total solidariedade à família de Abidulaye Dieng e também exige justiça. No entanto é fundamental, para resolver de fato o problema, que todos façam a luta contra as políticas de privatização de Ricardo Nunes e do governador Tarcísio de Freitas.
Nos últimos dias, o caos nos trens da cidade, com explosões e incêndio em vagões da linha privatizada também ameaçou a vida de centenas de pessoas. É preciso dar um basta nessa situação.
O mesmo descaso se vê com o movimento de privatização das escolas públicas capitaneado pela plataformização, que relega o professor a função apenas de executar conteúdos para bater metas, sem liberdade pedagócia.
Esse projeto que mata os filhos da classe trabalhadora precisa ser derrotado e só o será com mobilizações de rua, com a luta direta, como foi demonstrada pelos estudantes da USP e universidades estaduais neste ano. Por isso, vamos à luta!