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Com roda e debate político, grupo de capoeira Quilombo Raça e Classe se filia à CSP-Conlutas

O espaço de eventos do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região sediou no último sábado (6) um importante encontro da cultura e da resistência negra através da capoeira, marcado por muita conscientização de classe e política. Organizado pelo grupo de capoeira Quilombo Raça e Classe, o evento contou com o 1° campeonato regional, batizado de alunos e a filiação da organização à CSP-Conlutas.

Participaram cerca de 300 pessoas vindas de diversas cidades da região e também de Minas Gerais. Estavam presentes capoeiristas e apoiadores de Jacareí, Guaratinguetá, Caçapava, Santa Branca, Jambeiro, Igaratá, Santo Isabel, São José dos Campos, além de Conceição dos Ouros e Paraisópolis, ambas em Minas Gerais.

A programação teve início justamente com o ato de filiação à CSP-Conlutas, que contou com uma saudação do integrante da Secretaria Executiva Nacional da Central Luiz Carlos Prates, o Mancha.

Na sequência, o grupo realizou seu segundo batizado, cerimônia tradicional da capoeira em que os alunos recebem graduação, e organizou o 1° primeiro campeonato interno.

Capoeira como ferramenta de luta contra as opressões

O Quilombo Raça e Classe foi fundado em 2023. A proposta do grupo vai além da roda: a ideia é usar a capoeira como ferramenta de conscientização e luta, resgatando a memória da resistência negra e da luta de classes que estão na origem da capoeira.

“Muitos negros foram escravizados, assassinados e estuprados nas mesmas cidades em que hoje vivemos. A história não deve ser apagada nem esquecida e, por isso, nossa luta também é contra o racismo e a desigualdade”, explicou Cléber Jacinto da Luz, o Guélo, cofundador do grupo e diretor do Sindicato dos Metalúrgicos.

O grupo tem à frente também Célio Dias, o Celião, que é diretor sindical e integrante do Setorial da Saúde do Trabalhador da CSP-Conlutas, o que reforça o caráter de classe do projeto: a capoeira como espaço de formação política dentro e fora da fábrica.

“Temos como princípio ser contra qualquer tipo de opressão e combater as desigualdades sociais, as quais em grande parte são fruto dos séculos de escravidão e uma abolição incompleta que marcam nossa história”, explica Célio Dias.

“Com a filiação à CSP-Conlutas, o grupo de capoeira Quilombo Raça e Classe passa a integrar oficialmente a rede de entidades e movimentos de nossa central, ampliando as possibilidades de articulação entre cultura, memória negra e luta contra o racismo e toda forma de opressão”, afirmou Mancha. “Sejam todos bem-vindos e bem-vindas”, concluiu

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