O presidente nacional do PSTU e co-fundador da CSP-Conlutas José Maria de Almeida será um dos homenageados este ano no Dia da Luta Operária, celebrado em 9 de julho. O evento será realizado na sede do SindPD (Sindicato dos Trabalhadores em Processamento de Dados), às 9h, em São Paulo (SP).
O Dia da Luta Operária foi instituído por lei municipal, de autoria do deputado Donato, quando exercia mandato de vereador, com o objetivo de preservar a memória das lutas da classe trabalhadora brasileira. A homenagem ocorre por meio do Troféu José Martinez, homenagens póstumas e placas de reconhecimento, concedidas a pessoas que tiveram papel relevante na organização dos trabalhadores e na defesa de direitos sociais.
Nesta edição o troféu será concedido à cartunista Laerte e ao ex-deputado federal Aurélio Peres.
Laerte é uma das mais influentes cartunistas e quadrinistas brasileiras. Teve um papel fundamental na comunicação sindical entre 1977 e 1986, produzindo mais de mil charges políticas e materiais educativos pela Oboré Projetos Especiais para mobilizar a classe trabalhadora.
Aurélio Peres, metalúrgico, atuou na Pastoral Operária e liderou o Movimento do Custo de Vida, enfrentando a prisão e a tortura pelo DOI-CODI em 1974. Eleito deputado federal pelo MDB/PMDB duas vezes (1978 e 1982), ingressou no PCdoB em 1985 com a redemocratização. Ao deixar o parlamento, retomou a atividade operária até a aposentadoria.
Também serão homenageados nesta edição: Waldemar Rossi, Celia Rossi, Nair Goulart, Idibal Pivetta e Paulo Frateschi, Rubens Romano (placas póstumas); Paulo Canabrava (placa de reconhecimento).
Zé Maria: uma trajetória de luta e alvo da perseguição do sionismo
A homenagem a Zé Maria tem um significado especial em um contexto de crescente criminalização de ativistas e dirigentes que se posicionam em defesa dos povos oprimidos.
O dirigente construiu sua trajetória nas lutas operárias desde o final da década de 1970, participando das greves que desafiaram a ditadura militar e ajudaram a reorganizar o movimento sindical brasileiro. Ao longo das últimas décadas, esteve presente em campanhas e mobilizações em defesa dos direitos trabalhistas, das liberdades democráticas e da solidariedade internacional entre os povos.
O reconhecimento público à sua trajetória ocorre justamente quando o dirigente é alvo da perseguição sionista no país. Zé Maria foi condenado recentemente pela Justiça Federal de São Paulo a dois anos de prisão por declarações feitas em defesa do povo palestino e de denúncia do genocídio promovido pelo Estado de Israel na Faixa de Gaza. Uma campanha nacional em curso exige a anulação desta condenação arbitrária.
Para a CSP-Conlutas e organizações que apoiam a campanha pela sua absolvição, a condenação representa uma tentativa de silenciar vozes críticas ao sionismo e criminalizar a solidariedade internacional ao povo palestino. As entidades denunciam que o sionismo tenta transformar a denúncia dos crimes cometidos pelo Estado de Israel em suposto ato de discriminação, confundindo deliberadamente antissionismo com antissemitismo.
Memória da Greve Geral de 1917
O Dia da Luta Operária faz referência à histórica Greve Geral de 1917, considerada um dos acontecimentos mais importantes da história do movimento operário no país. O marco da mobilização foi o assassinato do jovem sapateiro José Martinez, morto por agentes da antiga Força Pública durante uma manifestação em São Paulo.
A repressão provocou uma explosão de indignação entre os trabalhadores, levando à paralisação de fábricas e serviços e impulsionando reivindicações por melhores salários, redução da jornada de trabalho, combate ao trabalho infantil e condições dignas de trabalho.
Mais de um século depois, a homenagem a militantes, dirigentes, intelectuais e ativistas busca manter viva a memória dessas lutas e reafirmar a importância da organização coletiva diante dos desafios enfrentados pela classe trabalhadora na atualidade.
Este ano, a data destaca os 140 anos da greve de 1886 em Chicago, que deu origem ao 1° de Maio, e a atual luta pelo fim da escala 6×1 que ganhou o apoio massivo da população em todo o país.
O evento é promovido pelas centrais sindicais, pelo Centro de Memória Sindical, Instituto Astrogildo Pereira, IIEP (Intercâmbio, Informações, Estudos e Pesquisas) e Oboré.