Mais um caso de violência policial expõe a política de morte que atinge cotidianamente a população das periferias de São Paulo. Na madrugada da última sexta-feira (3), Thawanna da Silva Salmázio, de 31 anos, foi morta com um tiro disparado por uma policial militar durante uma abordagem em Cidade Tiradentes, na Zona Leste da capital.
O caso ganhou repercussão no final de semana diante da brutalidade e do despreparo dos policiais, o que gerou forte indignação na comunidade e protestos. Câmeras de segurança e vídeos gravados por testemunhas foram divulgados nas redes sociais e revelam a conduta absurda da PM.
Viatura em alta velocidade, discussão e tiro
Thawanna caminhava com o marido por volta das 2h50 de sexta-feira, quando uma viatura passou pela rua. Menos de um minuto depois, é possível ouvir uma discussão e o disparo.
A policial Yasmin Cursino Ferreira relatou que o casal estava “alterado” e que Thawanna teria avançado contra a agente, o que teria provocado a reação. Uma versão nada plausível, já que a moradora estava desarmada, sem representar ameaça ou risco a uma agente de segurança, supostamente treinada.
A versão é contestada não só pelo marido de Thawanna, como por testemunhas.
Segundo o companheiro da vítima, a viatura quase atropelou os dois, o que levou Thawanna a reclamar. A PM deu ré no veículo e a policial desceu do carro, iniciando as agressões contra a moradora. A soldado teria xingado e agredido a vítima com socos e chutes antes do disparo.
As imagens também indicam a demora da PM no socorro à vítima que demorou cerca de 40 minutos para ser atendida. Em outra imagem de vídeo, é possível ver um policial apontando um fuzil para a vítima já caída no chão e sangrando. Em outra imagem, é possível ver o marido, sem camisa para mostrar que não estava armado, pedindo para socorrer a companheira.
Thawanna chegou a ser levada ao Hospital Municipal de Cidade Tiradentes, mas não resistiu. Deixou um filho de 5 anos.
Violência policial racista
O caso expõe mais uma vez o padrão de violência da Polícia Militar nas periferias, onde a população pobre e negra é tratada como alvo. Só nos primeiros meses de 2026, sob o comando do governo Tarcísio de Freitas, o índice de vítimas da PM é 35,5% maior que o mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério Público de SP.
A morte de uma mulher desarmada, após uma discussão, evidencia não só o despreparo dos agentes, mas uma política cotidiana de uso abusivo da força.
A policial responsável pelo disparo foi afastada, e o caso é investigado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa. Ainda assim, a repetição de episódios como esse mostra que não se trata de um caso isolado, mas de uma política de segurança baseada na repressão e na morte.
Justiça por Thawanna! Toda solidariedade à sua família e a comunidade de Cidade Tiradentes! Chega de racismo e mortes nas periferias de SP e de todo o país!