This is your default notification bar which you can use to an announcement, sale and discount.

Histórico: greve no Metrô, CPTM e Sabesp para São Paulo contra privatizações

A cidade de São Paulo parou nesta terça-feira (3) com a greve unificada dos trabalhadores do Metrô, CPTM e da Sabesp. As três categorias cruzaram os braços contra o projeto de privatização das empresas públicas anunciado pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP).

Uma assembleia lotada na noite de ontem, na quadra dos bancários, reafirmou a paralisação e desde às 0h os ativistas começaram a se dirigir aos piquetes nas estações de trens e metrô para conversar com os trabalhadores e a população.

A inédita mobilização já entra para a história da luta da classe trabalhadora em SP. Diante da força do movimento, o governo foi obrigado a decretar ponto facultativo na cidade, como nas escolas e órgãos públicos, e o rodízio para veículos foi suspenso.

A desmoralização do governo também se deu com uma nova falha na linha 9 da CPTM, que já foi privatizada e é administrada pela Via Mobilidade. Segundo informações na imprensa, o problema foi devido à falha no sistema de energia. Não é a toa que a Via Mobilidade, concessionária privada que administra a linha, é conhecida como Via Calamidade. Após a privatização, o trecho acumula panes, falhas e graves incidentes. E o governador bolsonarista teve a cara de pau de tentar criminalizar a greve dos trabalhadores do Metrô, da CPTM e da Sabesp e defender seus planos privatistas.

Desafio a Tarcísio: que o governo realize um plebiscito estadual

Os trabalhadores do Metrô, da CPTM e da Sabesp fizeram um desafio ao governo: que realize um plebiscito estadual para verificar a opinião da população sobre o pacote de privatizações que ele planeja e irá destruir a prestação dos serviços essenciais de transporte e de abastecimento de água e saneamento.

Atualmente, sindicatos, centrais sindicais e movimentos realizam um plebiscito popular que está colhendo milhares de votos da população em centenas de cidades e a receptividade surpreendeu os organizadores, com os trabalhadores votando contra a entrega do patrimônio público à inciativa privada. A consulta seguirá até o mês de novembro e a meta é chegar a 1 milhão de votos.

Unificou estudante e trabalhador

À luta dos metroviários, ferroviários e trabalhadores da Sabesp se somaram os estudantes, professores e funcionários da USP que também estão em greve em defesa da universidade pública.

Também em assembleia na noite de ontem, uma assembleia geral aprovou a continuidade da greve na USP por tempo indeterminado e a participação nas manifestações desta terça-feira em unidade com os trabalhadores em greve.

Outras categorias mobilizadas

O dia de hoje conta ainda com trabalhadores/as de outras categorias mobilizados. A data foi definida por centrais sindicais, sindicatos e movimentos como um dia nacional de luta em defesa da soberania, das estatais e dos serviços públicos. Assim, servidores públicos federais se mobilizaram em Brasília e outros estados, e petroleiros realizaram um ato nacional no Rio de Janeiro em referência aos 70 anos da Petrobras, reivindicando a reestatização das subsidiárias privatizadas nos últimos anos e uma empresa 100% estatal.

Metalúrgicos da Embraer, em São José dos Campos, que estão em campanha salarial, também aprovaram greve no dia de hoje e expressaram todo apoio à luta contra a privatização.

Na parte da tarde, os trabalhadores sofreram uma brutal repressão da PM a mando da Embraer de forma absurda, em mais uma demonstração das práticas antissindicais e do desrespeito dessa empresa (financiada com dinheiro público, apesar de ser ter sido privatizada) com os trabalhadores.

A luta está só começando

Para dirigentes e ativistas que estiveram ao longo do dia nos piquetes nas estações de trens e metrô dialogando com a população e nas manifestações que reuniram várias categorias, este dia de luta aponta o caminho: unidade e mobilização nas lutas e nas ruas.

“Hoje tivemos uma grande adesão dos metroviários, ferroviários e sabespianos à greve, que contou com apoio da população. Essa greve forte e unitária se juntou a outros processos de luta e mobilização, como servidores, estudantes e petroleiros, demonstrando que as condições de vida não estão boas e os trabalhadores estão dispostos a ir à luta. O que exige lutar contra os ataques de Tarcísio, em SP, mas de outros governos nos estados e também contra o governo Lula que não pode seguir a mesma lógica privatista e privatizar o metrô de Recife ou os presídios”, disse Atnágoras.

Alex Fernandes, diretor do Sindicato dos Metroviários de SP, destacou a adesão massiva dos trabalhadores à greve e parabenizou as demais categorias. “Fizemos uma greve vitoriosa que deu recado ao governo Tarcísio e os próximos passos é discutir a continuidade da luta contra os editais do pregão das terceirizações dos serviços nas estações e da manutenção do POT do Monotrilho”.

“Hoje nos mostramos a nossa força e paramos a maior cidade do país com a greve unificada. Mostramos que o enfrentamento ao governo de ultradireita se faz na luta, construindo ações unificadas. Para dar continuidade ao que começamos hoje temos de ter novas paralisações e manifestações, a começar com um grande ato na semana que vem”, avaliou o dirigente metroviário Diego Vitelo.

“Moradores das ocupações estiveram no Grajaú, em Osasco e no Polvilho em Cajamar, conversando sobre os efeitos dessa privatização que vai prejudicar principalmente os mais pobres e que moram nas periferias. Vai aumentar tarifas, piorar os serviços, dificultar chegar água onde já não tem. Por isso, é necessário seguir mobilizados para barrar esse projeto que não é só do Tarcísio, mas de Brasil, que visa garantir lucro de meia dúzia de bilionários”, falou Irene Maestro, do Movimento Luta Popular.

About the Author

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

You may also like these