A categoria dos ferroviários paulistas vai dar uma resposta ao caos gerado pela privatização do transporte sobre trilhos em São Paulo. Na próxima terça-feira (4), terá início uma greve por tempo indeterminado para denunciar a política do governador Tarcísio de Freitas.
A mobilização aprovada em assembleia na sexta-feira (24), ocorreu logo após uma semana em que centenas de usuários das Linhas 11- Coral, 12 – Safira e 13 – Jade enfrentaram graves falhas, com incêndios e explosões nos vagões.
As cenas que rodam o país e ganharam manchetes são consequência direta da administração das vias ter sido transferida para a iniciativa privada. A empresa Trivia Trens havia assumido o controle apenas 3 dias antes, no dia 21.
Diante da crise, a Artesp (Agência de Transporte do Estado de São Paulo) determinou que a estatal CPTM retome emergencialmente a operação das três linhas pelo período mínimo de 90 dias.
No entanto, os trabalhadores e os sindicatos que os representam se perguntam: se a CPTM é boa para conter a crise gerada pela empresa privada, porque não pode voltar a realizar o serviço que exerceu por décadas antes de privatizarem as linhas?
Bom apenas para os empresários
O que o governo do estado de São Paulo não conta é que o modelo de empresas privadas lidando com um serviço essencial é um mecanismo criminoso de escoamento das riquezas públicas para os cofres de mega empresários do setor.
A Fenametro (Federação Nacional dos Metroferroviários) estima que cerca de 75% dos investimentos previstos no sistema continuam sendo custeados diretamente pelos cofres públicos estaduais.
Na prática, o poder público assume os riscos e faz os repasses financeiros bilionários, enquanto o lucro vai para o bolso dos empresários, enquanto os passageiros são castigados com um serviço precário.
Os dados oficiais do primeiro semestre de 2026 apontam um crescimento de 27% nas falhas em trens e metrôs paulistas em relação à 2025. Isso é o equivalente a mais de uma falha por dia.
De acordo com este levantamento, as linhas concedidas à iniciativa privada foram as que registraram mais problemas. Na Linha 7-Rubi, o avanço das falhas alcançou a marca de 600% desde que a operação começou a ser privatizada.
É preciso denunciar esta falcatrua
O bolsonarista Tarcísio de Freitas tem como marca entregar o serviço público para empresários ganhar dinheiro, enquanto a população e os trabalhadores sofrem com a precarização.
É assim na distribuição de água, com a Sabesp, na educação, com o avanço da plataformização e também no transporte sobre trilhos. É preciso unir as diversas categorias, denunciar e barrar este movimento que penaliza o povo.
É preciso realizar a luta direta, com greves e manifestações. Por isso, nossa Central declara todo apoio aos ferroviários de São Paulo e que a categoria sirva de exemplo a muitas outras.
Que este ano ainda abrigue muitas lutas. Ainda que grande parte das centrais sindicais estejam pensando somente nas eleições, os trabalhadores devem saber: a saída está nas ruas!