Após quase dois meses, a greve dos estudantes da USP (Universidade de São Paulo) foi encerrada, na noite da segunda-feira (18), entrando para a história do movimento estudantil da capital paulista como uma das maiores mobilizações das últimas décadas.
Sob a bandeira de melhores condições para os estudantes de baixa renda e que necessitam das políticas de permanência estudantil, mais de 100 cursos foram paralisados, em 43 unidades da USP, incluindo no interior.
A luta conquistou o reajuste do Pafpe (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil) para R$912, o que repõe as perdas inflacionárias desde 2022. Além disso, a reitoria também se comprometeu a entregar melhorias nas moradias estudantis.
“Nós tivemos conquistas reais e parciais. Conquistamos também o bandejão aos finais de semana no interior, novas linhas de ônibus no interior, um projeto de moradia na EACH, que vão melhorar a vida de estudantes”, explica Ana Paula, do coletivo Rebeldia e estudante de Letras.
“Isso só foi possível com nossa força e de maneira unificada. Também tivemos a vitória política de escancarar o papel autoritário e burocrático que a reitoria cumpre na universidade”, continua.
Em sua fala na assembleia que encerrou a greve no Campus Butantã, a companheira explicou que foi possível até mesmo colocar o governador bolsonarista nas cordas, fazendo-o admitir que as pautas dos estudantes eram justas.
Representante do coletivo Faísca Revolucionária, o estudante de História e ativista Chico, realizou uma fala contundente sobre a necessidade do movimento estudantil garantir que não haja a retaliação por parte da reitoria.O companheiro expôs que ainda há este risco e que os estudantes devem se manter mobilizados.
Luta fez história
Vindo na esteira da greve iniciada pelos trabalhadores da USP, com a organização do Sintusp, filiado a nossa Central, a mobilização dos estudantes realizou atos massivos que sacudiram a cidade de São Paulo.
Apesar da repressão da PM e das ações coordenadas por grupos da extrema direita, as marchas que cruzavam as principais vias do centro financeiro do país recebiam o apoio intenso da população que abraçou a causa estudantil.
A principal passeata ocorreu no dia 20 de maio, quando dezenas de milhares de pessoas, vindas de todos os cantos do estado, caminharam até a sede do governo de São Paulo para pressionar a atuação de Tarcísio, aquele que escolhe o reitor da USP.
Além disso, a ocupação da reitoria foi outro marco importante para mostrar que o caminho é a luta direta. Mesmo com a PM usando de violência para retirar os manifestantes, ficou claro o recado que a luta vale a pena.
A força da unidade
Nos últimos dois meses, os processos de luta que se desenrolaram em São Paulo comprovaram que com unidade a classe trabalhadora pode ir muito mais longe e é por isso que ela assusta os governantes e as burocracias sindicais.
Os estudantes da USP lutaram ao lado dos servidores da universidade e de toda comunidade das estaduais Unesp e Unicamp. Além disso, os servidores e professores municipais também estavam de braços cruzados.
Essa junção das pautas fortalecia a todos e comprovava o acerto da CSP-Conlutas em defender a unidade da luta das categorias em campanha salarial. Essa lição deve ser mantida durante todo este ano.
A greve dos estudantes da USP está encerrada, mas o aprendizado da juventude e dos trabalhadores irá fortalecer as próximas greves, passeatas e ocupações. É desta forma que lutamos para a construção de uma sociedade socialista.