Em um país onde quatro mulheres são assassinadas por dia, não podemos fechar os olhos. O feminicídio atingiu níveis insustentáveis no Brasil: os dados mais recentes confirmam que 1.470 mulheres foram vítimas desse crime em 2025, o maior número desde a sua tipificação. Cada número é uma vida interrompida; cada caso é um grito que poderia ter sido ouvido antes.
Os primeiros meses de 2026 provam que a violência continua alarmante. Apenas no estado de São Paulo, janeiro bateu seu recorde histórico com 27 casos registrados. Aqui, no Vale do Paraíba, a realidade também nos choca, revelando que a violência está ao nosso redor — nos bairros, nas famílias e invisível nos locais de trabalho. Casos de feminicídio foram registrados logo no início do ano em cidades como São José dos Campos e Taubaté.
As faces da tragédia e a falha do Estado A escalada da violência se materializa em manchetes brutais e cotidianas. Apenas em fevereiro, dois episódios escancararam a necessidade de agirmos agora:
- No bairro do Jaçanã (SP): Priscila foi perseguida na calçada por seu ex-companheiro. Câmeras registraram o momento em que ela tentava escalar um portão para fugir, mas foi alcançada e violentamente agredida, chegando ao hospital sem vida.
- Em Botucatu (SP): Uma mulher e seu atual marido foram mortos a tiros dentro do carro pelo ex-companheiro dela, que fugiu levando o filho da vítima. O caso gerou forte indignação porque a mulher havia solicitado medida protetiva dias antes do crime, mas o pedido foi negado pela Justiça.
O que sustenta o feminicídio? Neste Dia Internacional das Mulheres, nosso sindicato se posiciona com firmeza: não há democracia, não há justiça social e não há direitos trabalhistas plenos enquanto mulheres continuarem sendo assassinadas por serem mulheres. O feminicídio é a ponta mais cruel de uma estrutura marcada por:
- Machismo estrutural;
- Dependência econômica;
- Medo de denunciar;
- Falhas na rede de proteção;
- Naturalização da violência doméstica.
Encontro de Mulheres: nossa resposta à barbárie É com o objetivo de enfrentar essa dura realidade que o Sindicato dos Químicos de São José dos Campos e Região organiza o Encontro das Mulheres Químicas. A atividade ocorrerá no sábado (7), na sede da entidade em São José, das 10h às 16h, promovendo uma plenária e confraternização sob o tema “Toda mulher carrega dentro dela uma revolução capaz de transformar o mundo”.
“Essa luta é da classe trabalhadora! O engajamento dos homens trabalhadores é indispensável para o avanço da luta das mulheres. Mas é preciso que compreendam que a sociedade é machista, e que é preciso se reeducar, mudar comportamentos, para defender a luta e a vida das mulheres”, explicam as organizadoras.
Nossas exigências Não aceitaremos que o 8 de março seja apenas uma data simbólica. Queremos compromisso concreto, orçamento público, estrutura de acolhimento e responsabilização dos agressores por parte dos governos. Como movimento sindical, defender as mulheres é defender:
- Estabilidade no emprego para vítimas de violência;
- Acesso a apoio jurídico e psicológico;
- Campanhas permanentes de combate ao machismo nos locais de trabalho;
- Políticas públicas de proteção e prevenção;
- Aplicação rigorosa da Lei Maria da Penha e da Lei do Feminicídio.
No entanto, a construção de uma sociedade sem machismo passa por transformações mais profundas. “Só com muita luta será possível frear essa situação, mas isso só será possível quando acabarmos com o capitalismo e construirmos uma sociedade sem opressão e sem exploração”, conclui o texto de divulgação das organizadoras.
Nenhuma mulher a menos. Nenhum direito a menos. Pela vida das mulheres trabalhadoras. Pelo fim do feminicídio.