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GCM de Cajamar utiliza canil e confisca materiais para blindar prefeito

O livre direito à manifestação sofreu um duro golpe em Cajamar (SP), no sábado (7). De forma autoritária e ilegal a GCM (Guarda Civil Municipal) reprimiu a panfletagem organizada pelo Luta Popular e outras organizações.

O episódio ocorreu quando moradores da Ocupação dos Queixadas, juntamente com militantes da CSP-Conlutas, Comunidade do KM 43, PSTU, PSOL, PT e MST, se reuniram para dialogar com a população sobre as graves denúncias que envolvem a Prefeitura.

O atual prefeito Kauã Berto, além do ex-prefeito Danilo Joan e o Secretário de Habitação, Leandro Arantes estão no centro de uma investigação da Polícia Civil que envolve corrupção, abuso de poder e fraudes contratuais. 

A resposta do poder público foi a violência e a repressão. A GCM foi enviada ao local não para garantir a segurança dos cidadãos, mas para interromper o protesto. A GCM utilizou até mesmo o canil municipal como instrumento de intimidação contra os manifestantes.

Aparelhamento da Segurança Pública

Além da ameaça física, houve censura direta: os agentes confiscaram os panfletos que seriam distribuídos, em um ato de flagrante violação ao direito de livre opinião e imprensa.

A denúncia aponta para uma inversão de valores na segurança pública de Cajamar: o uso de recursos e agentes do Estado para fins de proteção da imagem política do chefe do Executivo. 

O pretexto para a operação seria de que o prefeito se sentiu “constrangido” com as críticas, tratando a oposição política como caso de polícia.

Prefeito é investigado

O material confiscado pela GCM trazia à luz números alarmantes sobre a gestão de Kauã Berto, temas que a prefeitura tenta, através da força, manter longe do debate público:

Investigações policiais apuram irregularidades em contratos que teriam favorecido familiares e amigos do círculo de poder municipal. Os valores chegam a R$ 800 milhões em contratos suspeitos.

Além disso, há também a denúncia de que mais de R$ 80 milhões do fundo de previdência dos servidores municipais foram aplicados em operações de risco (caso Banco Master), colocando em xeque o futuro do funcionalismo.

“Não vão nos calar”

A ação truculenta da GCM gerou reação imediata dos movimentos sociais. As lideranças afirmam que a tentativa de silenciamento não surtirá efeito e que a mobilização contra os despejos, a violência e a corrupção continuará.

“Não vamos parar de denunciar, não vamos deixar de expor pra população de Cajamar nossa opinião política e não vamos parar de nos mobilizar. Não vão nos calar, como tentam todos os dias calar quem faz críticas aos governantes na cidade!”, afirma em nota o Luta Popular.

A CSP-Conlutas manifesta toda solidariedade aos manifestantes e reitera: lutar não é crime, nem demandas sociais são casos de polícia. Ao invés de perseguir quem se manifesta, o Kauã Berto deveria prestar contas à população que está sendo diretamente afetada. 

Além disso, a Prefeitura continua com o projeto de deixar famílias sem casa. Um exemplo é a própria Ocupação dos Queixadas que segue sob risco de despejo, assim como a comunidade do KM 43.

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