Na manhã do domingo (3), o MNL (Movimento Nacional de Lutas) realizou mais uma mobilização em defesa da reforma agrária. Dezenas de trabalhadores rurais ocuparam uma área de Cerrado da UFSCAR (Universidade Federal de São Carlos).
O objetivo era denunciar a paralisia do governo federal e cobrar o cumprimento de acordos firmados. Participaram do ato trabalhadores e trabalhadoras de diversas cidades da região, incluindo Leme, Araras, Cordeirópolis, Descalvado, São Carlos e Barretos.
Promessas não cumpridas e negligência estatal
A ocupação não é um ato isolado, mas uma resposta direta à falta de diálogo e ao descumprimento de prazos pelo Incra. O companheiro Piauí, representante da CSP-Conlutas na ação, lembra que o movimento já havia realizado uma ação similar em 18 de dezembro do ano passado.
Na ocasião, após reunião com a então superintendente Sabrina Diniz, em São Paulo, foram prometidos encaminhamentos para pautas históricas do grupo. No entanto, os manifestantes denunciam que, meses depois, nenhum avanço concreto foi registrado, deixando centenas de famílias em situação de vulnerabilidade e insegurança jurídica.
As principais reivindicações do movimento
A pauta de reivindicações foca na regularização de terras que já cumprem função social de moradia e produção, mas que carecem de oficialização pelo Estado
Há famílias que já residem há anos em terrenos da União nos municípios de Leme, Araras e Cordeirópolis e que exigem a titulação e o reconhecimento das moradias já construídas.
O movimento também cobra a vistoria imediata de propriedades na região para verificar a viabilidade de novos assentamentos.
Por sua vez, o MNL busca apresentar um projeto de uso sustentável para a área conhecida como Horto da universidade, pauta que segue travada por falta de abertura de diálogo por parte da reitoria.
Resistência e negociação
A mobilização conta com o apoio técnico-jurídico de Waldemir Soares, advogado da CSP-conlutas, que reforçou o caráter pacífico e legítimo da ação como ferramenta de pressão democrática.
Por volta das 19h, a ocupação recebeu o representante do INCRA Ronaldo Ribeiro, que respondeu às reivindicações da pauta e se comprometeu a realização de um seminário em junho para avançar com as negociações.
Todo apoio
A CSP-Conlutas reitera seu total apoio à luta no campo por uma reforma agrária popular, que garanta terra às famílias que mais precisam. É fundamental fortalecer as ações diretas, como ocupações, para pressionar os governos.