A greve estudantil da USP segue demonstrando força e capacidade de organização. Nesta terça-feira (28), os estudantes realizaram um forte ato unificado em defesa de suas reivindicações, com participação dos trabalhadores da universidade e apoiadores. A greve completa 15 dias e mantém ampla adesão em cursos de todas as 43 unidades da USP, na capital e no interior.
A paralisação dos estudantes iniciou no dia 15/4, impulsionada pelo apoio à greve dos trabalhadores da Universidade, que reivindicavam a correção de desigualdades internas, reposição de perdas salariais e temas também relacionados aos alunos.
A greve dos servidores foi encerrada em assembleia, no último dia 24. No entanto, o Sintusp (Sindicato dos Trabalhadores da USP), que é filiado à CSP-Conlutas, além do atendimento de reivindicações fundamentais da categoria, como parte do acordo com a reitoria, também cobrou que os estudantes fossem recebidos e fosse retirada a minuta que ameaçava os espaços estudantis.
É essa unidade que vem marcando a greve na USP e o Sintusp segue declarando apoio político e participando das mobilizações estudantis.
Hoje, mais de uma centena de cursos permanecem paralisados, incluindo Medicina, Direito, Letras e Ciências Sociais, Engenharias, Veterinária, entre outros, demonstrando que a indignação não se restringe a setores isolados, mas expressa um descontentamento generalizado com a política da reitoria.
Permanência estudantil
As reivindicações centrais da greve dos estudantes incluem o aumento do PAPFE (Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil) para o valor de um salário mínimo e ampliação do número de beneficiados; melhorias urgentes nos bandejões e moradias estudantis; ampliação das políticas de cotas; defesa da autonomia dos espaços estudantis; e mais investimento orçamentário para garantir condições dignas de estudo. Hoje, apenas cerca de 15 mil estudantes de um total de 97 mil têm acesso ao auxílio permanência, retrato da exclusão social mantida pela gestão universitária.
Calendário de luta continua
Nesta quarta-feira (29), a mobilização terá novos capítulos. Às 13h, está convocado um ato em defesa do Hospital Universitário, unidade que tem sido cada vez mais atacada pela falta de investimentos e redução de serviços em razão da política do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Às 18h, será realizada uma assembleia com os estudantes dos campi da capital para discutir os rumos da greve e deliberar sobre os próximos passos do movimento.
Nesta semana ocorreu a primeira mesa de negociação com a reitoria. Em nota, o DCE da USP informou que a comissão de negociação eleita pela base apresentou oficialmente a carta de reivindicações da greve.
Segundo o DCE, a forte pressão exercida pela mobilização já obrigou a reitoria a ceder em alguns pontos e anunciar a implementação de propostas iniciais, demonstrando que a greve vem surtindo efeito. Ainda assim, os estudantes ressaltam que promessas parciais não respondem ao conjunto das necessidades colocadas. As demandas seguem longe de serem plenamente atendidas e, por isso, a continuidade da paralisação permanece colocada. O movimento reforça que quem decidirá sobre a aceitação ou não das propostas apresentadas será a própria base estudantil, em processo democrático de assembleias.
Todo apoio!
A luta na USP expressa um processo mais amplo de resistência contra o sucateamento da educação pública imposto pelos governos.
Em mais de 50 universidades e institutos federais, técnicos-administrativos seguem mobilizados por carreira e recomposição salarial, em uma greve organizada pela Fasubra que já completou dois meses, enquanto na UERJ professores e técnicos também estão em greve diante do desmonte promovido pelo governo estadual.
São batalhas conectadas pela defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade, mostrando que somente a mobilização e a unidade entre trabalhadores, docentes e estudantes pode impor derrotas às políticas de ajuste e precarização dos governos.
A CSP-Conlutas reafirma todo apoio às mobilizações!