Lembrar os crimes da Ditadura Militar no Brasil e a resistência daqueles que caíram na luta pela democracia e contra o autoritarismo. Este é o objetivo da 6ª Caminhada do Silêncio, que irá ocorrer no domingo (29), em São Paulo (SP).
Assim como ocorreu nas demais edições, a CSP-Conlutas terá sua representação na mobilização. Luiz Carlos Prates, o Mancha, e Mané Bahia, são anistiados políticos e levarão a bandeira de nossa Central.
“A luta pela conquista da verdade e pelo direito à memória, justiça e reparação é permanente! Porque queremos saber dos nossos desaparecidos, porque queremos punição para torturadores e empresas que financiaram o golpe de 1964, porque Ditadura Nunca Mais!”, afirma Mané Bahia, anistiado político e assessor na CSP-Conlutas.
O ponto de partida da caminhada será em frente ao antigo DOI-Codi (Rua Tutoia, 921, Vila Mariana), às 16h. O prédio encontra-se em um dos bairros residenciais mais tranquilos de São Paulo, mas a fachada discreta escondia um capítulo sombrio da história do país.
O local foi palco de prisões arbitrárias, interrogatórios violentos e torturas que resultaram em mortes. Dali, a Caminhada do Silêncio percorrerá as ruas da Vila Mariana até o Parque do Ibirapuera, onde fica o Monumento em Homenagem aos Mortos e Desaparecidos Políticos.
“A Caminhada pretende reforçar a continuidade da luta por memória, verdade, justiça e reparação, em um contexto de importantes oportunidades para resolver questões de nosso passado e de nossa história de violência e impunidade”, diz a convocatória para o ato.
Organizada pelo Movimento Vozes do Silêncio, representado pelo Núcleo de Preservação da Memória Política e o Instituto Vladimir Herzog, a caminhada reunirá familiares de vítimas de violência do Estado, do passado ditatorial e do presente.
Este é o caso do Movimento de Familiares das Vítimas do Massacre em Paraisópolis, que desde 2019, luta por justiça aos nove adolescentes assassinados pela Polícia Militar durante um baile funk na comunidade.
Por isso, a luta pela democracia e contra a violência policial se mantém importante. Os eventos de 8 de janeiro de 2023 e a tentativa de golpe de Estado realizada por Jair Bolsonaro e sua tropa também são a prova de que não se pode baixar a guarda.
“Relembrar e protestar contra o golpe de 64, tem a importância de exigir a punição dos torturadores e seus mandantes, até hoje impunes . As liberdades democráticas duramente conquistadas são constantemente ameaçadas. Nós as defendemos para continuar a luta pela emancipação dos trabalhadores e pelo socialismo. Ditadura nunca mais”, afirma Luis Carlos Prates, o Mancha, da Executiva Nacional da CSP-Conlutas.