Em recente declaração durante evento político, o presidente da CUT, Sérgio Nobre, afirmou que “todas as centrais sindicais estão com Lula”. A CSP-Conlutas vem a público desmentir essa afirmação.
A CSP-Conlutas não apoia o governo Lula/Alckmin e reafirma que não estará no palanque da Frente Ampla no primeiro turno. Da mesma forma que nossa Central esteve e estará na primeira linha contra o projeto nefasto e golpista da ultradireita bolsonarista.
Enquanto a maioria das direções do movimento sindical escolheu a conciliação e a submissão aos interesses do governo e do mercado, nossa Central mantém o compromisso com a independência de classe.
A classe trabalhadora brasileira é empurrada para uma falsa polarização. E nós, apesar de sabermos que os dois campos políticos não são iguais, não apoiamos a conciliação de classe.
De um lado, está a extrema-direita reacionária, responsável por golpismos, pelo desmonte sistemático de direitos, pelo rastro de destruição ambiental e por ataques brutais às liberdades democráticas e às minorias. Combater e derrotar a extrema-direita, nas ruas e nas urnas, segue sendo um imperativo para a classe trabalhadora.
No entanto, a resposta à extrema-direita não pode ser a entrega dos nossos direitos e pautas nas negociações. O governo de Frente Ampla liderado por Lula prefere governar agradando banqueiros, o agronegócio e as grandes empresas, mantendo a essência do modelo econômico neoliberal que sufoca os trabalhadores e o povo pobre.
Ao declarar apoio irrestrito a esse projeto, a direção da CUT tenta apagar as mobilizações independentes e impor uma unanimidade artificial ao movimento sindical.
Por que polemizamos com a gestão Lula?
Nossa oposição ao governo Lula/Alckmin se baseia nas necessidades do cotidiano das fábricas, dos serviços públicos, do campo e das periferias. Apontamos as contradições que a conciliação de classes impõe ao povo.
O Arcabouço Fiscal é um deles. A manutenção de teto de gastos fiscal destrói a saúde, a educação e os serviços públicos para garantir o pagamento de juros da dívida aos especuladores financeiros. Além disso, o governo recusa-se a revogar integralmente as reformas que retiraram direitos históricos dos trabalhadores e adiaram a aposentadoria da nossa classe.
As privatições continuam entregando ativos públicos ao capital privado, precarizando serviços essenciais como água e energia e precarizam também o trabalho.
Vivemos um período em que os trabalhadores perdem empregos, perdem salrios e direitos e o que cresce é um mercado informal.
O Programa da CSP-Conlutas: Uma alternativa dos trabalhadores
Diferente das propostas elaboradas em gabinetes fechados ou em jantares com empresários, o Programa dos Trabalhadores da nossa Central foi aprovado nos fóruns e instâncias da CSP-Conlutas, construído coletivamente a partir da realidade de quem produz a riqueza do país.
Não aceitamos o papel de mero “comitê eleitoral”. Defendemos e pautamos os seguintes eixos em nosso programa:
– Fim da escala 6×1 e redução da jornada para 36h sem redução salarial: Chega de exaustão e sobrecarga. Pela reorganização do trabalho com mais empregos e vida digna.
– Revogação das reformas Trabalhista e da Previdência: Devolução imediata dos direitos roubados e garantia de aposentadoria pública e digna.
– Fim do Arcabouço Fiscal e auditoria da dívida: Dinheiro público para saúde, educação, moradia e saneamento, e não para o bolso dos banqueiros.
– Reativação e valorização do salário mínimo rumo ao mínimo do Dieese: Garantia de poder de compra real para a sobrevivência das famílias trabalhadoras.
– Combate às privatizações: Reestatização das empresas entregues ao capital privado, com Petrobras e Correios 100% públicos e sob controle dos trabalhadores.
– Soberania nacional e anti-imperialismo: Pelo rompimento imediato das relações diplomáticas e econômicas com o Estado genocida de Israel e pelo fim das ingerências imperialistas do governo Trump.
A CSP-Conlutas tem consciência que a verdadeira transformação não virá dos arranjos parlamentares, mas sim da capacidade de organização e da força da classe trabalhadora nas ruas, nas greves e nos locais de trabalho.
A CSP-Conlutas convoca os sindicatos, oposições sindicais, movimentos de moradia, do campo, da juventude e de combate às opressões a levantar esse programa. Neste tema as centrais não falam em nosso nome.