Com união é possível resistir e vencer! Este é o recado dado pela Ocupação dos Queixadas, na cidade de Cajamar (SP), que reuniu dezenas de apoiadores, no sábado (1), no Dia de Luta em Defesa da Moradia.
A comunidade que é alvo de uma ação de despejo, mesmo sendo o abrigo de mais de uma centena de famílias por mais de sete anos, mostrou como se faz a luta com política, ações culturais e muita mobilização.
O dia de atividades começou cedo, ainda no início da tarde com oficinas de estêncil, bateria e a apresentação cultural da Trupe da Lona Preta. As crianças e adolescentes do território, aproveitaram as atividades pensadas para elas.
A Ocupação ainda enfeitada pelas comemorações dos meses de junho e julho estava bonita para receber todos que foram prestigiar o dia, inclusive com diversas opções de comidas e bebidas preparadas pelos moradores.
Já no fim da tarde ocorre a reunião do Fórum Popular por Moradia, com a presença de lideranças de diversas ocupações da cidade. Esta foi uma demonstração de muita força e união entre aqueles que estão na mesma causa.
Como não poderia ser diferente, o encontro deliberou pela intensificação da luta e da resistência de todos aqueles que não tem a garantia de cotinuar morando sob o mesmo teto até o final do ano.
Foi aprovado um plano de luta que irá se desdobrar nos próximos meses e terá o apoio da CSP-Conlutas, como deixou claro o representante da nossa central Atnágoras Lopes, integrante da executiva nacional da CSP-Conlutas.
“Quanta gente, quantas famílias, às margens da cidade mais rica do Brasil estão passando por essa luta, que acontece ao mesmo tempo da luta por dignidade e emprego, mas a moradia é a base”, afirma Atnágoras.
“Nós da CSP-Conlutas estamos nessa trilha com vocês nesses sete anos porque somos irmãos do Luta Popular. a nossa vinda aqui é pra reacender essa batalha. Para rir ou pra chorar vamos estar juntos”, conclui.
Tensão na comunidade
Como é costume na cidade de Cajamar, a prefeitura da cidade trata o direito a moradia como caso de polícia e criminaliza quem reivindica um teto para morar. Foi isso que ocorreu na quarta-feira (29), quando cerca de 10 viaturas da GCM cercaram os Queixadas.
A intenção de tamanho aparato policial era pressionar, ameaçar e tentar amedrontar os moradores. No entanto, não há data estabelecida para o despejo, e o processo ainda corre na justiça, mesmo tendo o último recurso negado.
Vanessa Mendonça, liderança da Ocupação dos Queixadas e integrante da Executiva Nacional da CSP-Conlutas falou sobre a importância da solidariedade nos momentos de tensão e perseguição do poder público.
“Este processo todo é muito difícil. Isso porque muita gente não sabe pra onde vai com os filhos depois. Também está ocorrendo muita repressão, com a polícia ameaçando, apontando armas para os moradores”.
“Por isso, pedimos para todos vocês virem hoje aqui. Temos o medo de ser despejados, mas também o medo de sermos assassinados também. Por isso, é fundamental este apoio de vocês. Nós nos sentimos mais seguros”, conclui Vanessa.
Luta e descontração
O Dia de Luta em Defesa da Moradia terminou com uma roda de samba pra la de especial realizada pelo grupo Bamba SP e também batalha de rima com o coletivo Freestyle, que deu show de talento na improvisação.
O apoio à Ocupação dos Queixadas é importante e deverá permanecer, bem como à luta das demais comunidades de Cajamar como a São Benedito, Km 41,5, Km 43 e Gato Preto que estão juntas na luta.
Reiteramos a necessidade de ativistas e entidades de nossa Central se somarem a esta luta. Os próximos dias serão muito importantes, por isso, todos os esforços devem se voltar a cercar de solidariedade a Ocupação dos Queixadas.