Motoboys, entregadores, motofretistas e mototaxistas protestaram na quarta-feira (25), paralisando importantes avenidas em São Paulo e na região metropolitana.
A categoria saiu às ruas em um ato de unidade e resistência contra uma nova investida do Detran-SP, que ameaça o sustento de milhares de trabalhadores, e para exigir remuneração justa das empresas de aplicativos.
O principal motivo da revolta foi a implementação de uma nova regra pelo Detran-SP, que condiciona o exercício das atividades de entregador e mototaxista à realização obrigatória de um curso específico e aprovação em prova teórica.
A medida, que já está em vigor, representa um ataque direto ao bolso do trabalhador, que agora se vê forçado a pagar uma taxa de R$ 52,83 por exame para ter o direito de exercer sua profissão.
Sob a justificativa de “segurança no trânsito”, o estado impõe mais um pedágio fiscal a uma categoria que já enfrenta riscos diários nas ruas. A perseguição é ainda mais evidente pelo fato de a fiscalização dessa lei de 2009 ter sido endurecida justamente neste ano.
Em São Paulo e Osasco
A mobilização teve início pela manhã em Osasco, onde um comboio com cerca de 200 motos ocupou e travou ruas da região, fazendo-se ouvir através de um potente buzinaço que provocou lentidão nos pontos-chave da cidade.
Simultaneamente, na capital paulista, a luta se concentrou na região da Ponte Estaiada. Cerca de 150 manifestantes bloquearam importantes vias, como a Avenida das Nações Unidas e a pista local da Marginal Pinheiros.
Luta por direitos
Mas a revolta não se restringe apenas às taxas abusivas do estado. Os trabalhadores também utilizaram o protesto para denunciar o Projeto de Lei 152, o chamado “PL dos Apps”, que tramita no Congresso Nacional.
Os entregadores de plataformas digitais exigem remuneração em uma taxa mínima de R$10 por corrida, somada ao pagamento de R$ 2,50 por quilômetro adicional em viagens acima de 4 km.
A categoria também exige o pagamento integral por entregas agrupadas, que hoje são utilizadas pelas empresas para diluir o valor que deveria ser pago por cada pedido separado, sugando o lucro do trabalhador.
Todo apoio
O dia de paralisação e protesto enviou um recado claro e potente: os motociclistas não aceitarão passivamente a exploração dupla das grandes corporações tecnológicas e o assédio fiscal do estado.
A unidade mostrada em São Paulo e Osasco é a única arma da categoria contra o modelo de precarização imposto.