A luta contra o plano de privatização da Fundação Casa, em São Paulo, teve um novo capítulo importante, nesta quarta-feira (4), com a realização de uma audiência pública sobre o tema no Ministério Público do estado.
Além dos servidores da instituição que abriga adolescentes autores de atos infracionais, também participaram do debate parlamentares, a defensoria pública, conselhos municipais e o sindicato que organiza a categoria, SITSESP.
Com cerca de 200 pessoas participando no modo presencial e on-line, o momento foi importante, pois os trabalhadores da Fundação Casa puderam ser ouvidos sobre suas preocupações e também denunciar o atual estágio de sucateamento do órgão.
“Os companheiros de trabalho vêm me perguntar, ‘Iure, o que vai acontecer com nosso trabalho se passar o PPP?’É uma situação muito complicada”, explica Iure Teixeira, da Executiva Estadual São Paulo e servidor da Fundação Casa, em Osasco.
“Nós não sabemos se virá a ter a retirada de mais direitos ou a perda de empregos com esta PPP. Nós já temos a experiência de contratos terceirizados, através de ONGs, e sabemos o prejuízo para os servidores”, denunciou Iure na audiência.
Em sua intervenção, Iure também lançou perguntas sobre como a PPP pode afetar o orçamento da Fundação Casa e reafirmou a importância da categoria manter-se mobilizada contra o projeto privatista do governador Tarcísio de Freitas.
Outro representante de nossa Central foi Altino Prazeres, vice-presidente do Sindicato dos Metroviários de São Paulo. “Na verdade, há planos de privatização em São Paulo, mas também sob o comando de Lula, no âmbito nacional”.
“No estado privatizou quase toda a ferrovia e a Sabesp. Querem ainda privatizar o Metrô, as escolas e agora a Fundação Casa. É prejudicial para os trabalhadores, mas também para a população, uma vez que eles transferem dinheiro público para o setor privado”.
Projeto de desmonte do estado
Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem seguido à risca a cartilha da privatização. O sucateamento e a desvalorização das carreiras é latente. Com isso, abre-se caminho para a entrega do patrimônio público.
As entidades de classe alertam que a privatização sempre significa demissões, perda de direitos e piores condições de trabalho para os servidores, uma vez que não há compromisso com a qualidade do serviço e sim com o lucro.
A população também é gravemente afetada com a piora na oferta do serviço e, no caso da Fundação Casa, o estado está empurrando para o empresariado um de seus deveres, sua responsabilidade com os cidadãos.
Vamos a luta!
Para Iure a luta deve seguir forte, com novas atividades sendo realizadas. Agora, é importante buscar aliados contra a privatização e dialogar com a população sobre os problemas que poderão ocorrer com o setor privado comandando a Fundação Casa.
“Hoje foi um passo importante, mas a luta tem que continuar. A categoria unida já mostrou que tem força. Agora, é preciso manter o espírito de mobilização e participar das atividades contra a privatização e demais organizadas pelo Sindicato”, conclui Iure.