Não vai ter despejo! Vai ter luta! Queixadas ficam!
O risco de despejo das mais de 100 famílias da Ocupação dos Queixadas é cada vez maior. O Ministério Público de Cajamar (SP) se posicionou a favor da remoção, pedindo ao juiz que determine a saída em apenas 30 dias. Na prática, isso significa jogar crianças, idosos e trabalhadores no olho da rua, sem qualquer garantia de moradia digna.
De forma absurda, a decisão do MP se apoia no plano apresentado pela Prefeitura, que não passa de um roteiro de despejo: polícia, assistente social, ambulância e caminhões para recolher os pertences. Nada de indicar para onde cada família irá, nada de assegurar um lar. Apenas abrigos temporários e medidas paliativas, como se estivessem tratando de objetos descartáveis, não de vidas humanas.
Em nota, a Ocupação dos Queixadas e do Movimento Luta Popular denunciaram que o MP desqualificou as propostas da comunidade de inclusão no Programa Cidade Legal ou no novo PAC, que prevê regularização de áreas ou construção de moradias, chamando-as de “tentativa de enrolar” o Judiciário, e não um direito constitucional que a população tem.
Essa postura revela o total descaso do Ministério Público e da Prefeitura de Cajamar com a vida das famílias. Ao invés de garantir soluções reais e aplicar políticas de habitação já previstas em lei, preferem promover remoções forçadas, violentas e ilegais, servindo aos interesses de quem lucra com a especulação imobiliária.
A qualquer momento, o juiz pode assinar a sentença que autoriza o despejo. Por isso, a comunidade e seus apoiadores estão em alerta máximo. Os Queixadas avisam: se forem arrancados de suas casas, terão de ocupar novas áreas, porque morar não é luxo, é necessidade para sobreviver.
“Não adianta tapar o sol com a peneira, porque nós não vamos desaparecer! Ao contrário, seguiremos e vamos adiante com a nossa luta em defesa das nossas vidas, nossa dignidade e nosso direito legítimo de ter um teto pra viver com nossas famílias! Queixadas existe e resiste! Não vai ter despejo, vai ter luta! Moradia digna já! Só falta o Kauan assinar!”, conclui a nota.
A CSP-Conlutas reafirma o apoio e solidariedade às famílias da Ocupação dos Queixadas. Estamos juntos! Enquanto morar for um privilégio, ocupar é um direito!