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Sindmetal SJC segue na defesa dos empregos na Avibras e reafirma que estatização é solução

A notícia chegou na tarde da última sexta-feira (21): a J&F, holding dos irmãos Joesley e Wesley Batista, está prestes a comprar 100% da Avibras Aeroco, fábrica do setor de Defesa, instalada em Jacareí (SP). O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, filiado à CSP-Conlutas, foi comunicado pelo fundo de investimentos Brasil Crédito, atual controlador da companhia.

Segundo o próprio Brasil Crédito e uma nota divulgada pela Avibras, o negócio já está confirmado, mas ainda não foi finalizado, pois falta o aval do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). O valor da operação não foi revelado.

Diante da mudança de dono que se desenha, em nota o Sindicato reafirmou sua posição: não importa quem esteja no comando da empresa, os direitos dos trabalhadores não podem ser desrespeitados. Mais do que isso, a entidade também ressaltou que a estatização da Avibras, da Embraer e de todas as empresas estratégicas do setor de Defesa é o único caminho para a garantia da soberania nacional.

Acordo tem de ser cumprido

A entidade reforçou que vai continuar de olho no cumprimento do acordo de retomada firmado com a Avibras, homologado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região e também pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho). Esse acordo prevê o pagamento das dívidas trabalhistas acumuladas durante a crise da empresa e o respeito à convenção coletiva da categoria metalúrgica.

Para o presidente do Sindicato, Weller Gonçalves, o histórico de luta da categoria é a garantia de que o acordo não vai ficar só no papel.

“O acordo de retomada da Avibras é público e foi aprovado pelos trabalhadores em assembleia. O Sindicato seguirá acompanhando de perto o cronograma de pagamentos e o cumprimento do acordo vigente, que tem de ser respeitado pelos proprietários da empresa, independentemente de quem sejam. Os metalúrgicos da Avibras fizeram uma greve histórica e sabem que o caminho para garantir empregos e direitos é a luta”, afirma Weller.

O dirigente também não poupou críticas à lógica que move esse tipo de negociação. “No sistema capitalista, em nome do lucro, é comum que holdings e grandes empresários invistam, façam aquisições e fusões para ampliar seu patrimônio. O papel do Sindicato é garantir condições de trabalho melhores, e isso se faz por meio da luta”, completa.

A defesa da estatização segue de pé

Enquanto acompanha de perto a movimentação do capital privado sobre a Avibras, o Sindicato mantém uma bandeira histórica: a estatização da empresa.

Em julho, durante visita do presidente Lula à fábrica, o Sindicato entregou três cartas com reivindicações para os setores de Defesa e aeronáutico, entre elas, a proposta de estatização da Avibras, da Embraer e de todas as empresas consideradas estratégicas para a soberania nacional.

Para os metalúrgicos, um setor tão sensível para o país não pode ficar à mercê das oscilações e interesses de grandes grupos econômicos, mas sim ser tocado a serviço do desenvolvimento nacional e da estabilidade dos empregos.

Uma greve que entrou para a história

Para entender por que o Sindicato ressalta que confia na organização e mobilização dos trabalhadores é preciso lembrar o tamanho da batalha travada pelos trabalhadores da Avibras nos últimos anos.

A crise começou em março de 2022, quando a empresa entrou com pedido de recuperação judicial e demitiu 420 trabalhadores de uma só vez. A mobilização e a ação do Sindicato na Justiça garantiram a reversão dos cortes. Mas a crise não parou por aí. Ainda em 2022, os salários começaram a atrasar. Foi a gota d’água. Em 9 de setembro daquele ano, os trabalhadores cruzaram os braços em protesto e a greve durou 1.280 dias, uma das mais longas da história do movimento operário no país.

A resistência e a pressão dos trabalhadores deram resultado. Em 11 de março de 2026, foi aprovado em assembleia o acordo de retomada que está em vigor até hoje, garantindo, além do pagamento escalonado da dívida, a recontratação de 510 trabalhadores demitidos durante a crise. Atualmente, a Avibras já opera com cerca de 600 empregados, prova de que a luta organizada é capaz de reerguer até uma fábrica à beira do colapso.

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