A garantia do direito à terra e à moradia digna estão no centro das reivindicações do tradicional Grito dos Excluídos e Excluídas que chega a sua trigésima segunda edição neste ano.
O protesto que ocorre sempre no dia 7 de setembro, conhecido como “Dia da Independência”, propõe um verdadeiro grito de liberdade ao povo e à classe trabalhadora brasileira.
Em 2026, a CSP-Conlutas irá colocar todos seus esforços para deixar ainda mais forte a mobilização que será realizada em Cajamar (SP), a partir das 9h, no Parque São Roberto.
A cidade foi escolhida por abrigar diversas ocupações por moradia que estão ameaçadas de despejo. Entre elas, está a Ocupação dos Queixadas, organizada pelo Luta Popular, filiado à nossa Central.
Os Queixadas enfrentam um pedido de reintegração de posse, apesar da comunidade já ter se tornado um verdadeiro bairro, já integrado à cidade e que abriga quase 100 famílias, há mais de 7 anos.
“Os movimentos sociais denunciam (…) a disparada do preço dos alugueis, a onda de despejos que tem assolado milhares de famílias, e como a terra e a moradia são tratadas como mercadoria, às custas da vida dos de baixo”, explica O Luta Popular, na convocatória para a mobilização.
Luta unificada
Além dos Queixadas, os moradores das ocupações localizadas entre os quilômetros 40 e 43 da Rodovia Anhanguera também estarão na luta, assim como os companheiros do bairro do Gato Preto, um dos mais antigos da cidade.
Em todos os casos a história se repete. São famílias de trabalhadores lutando para ter um teto sobre suas cabeças, enquanto o poder público, que deveria garantir a moradia, só joga contra.
O governo do Estado de São Paulo e o Ministério das Cidades do governo federal já demonstraram interesse na regularização da área da ocupação dos Queixadas, por exemplo, mas os prefeitos Danilo Joan e Kauan Berto se recusaram.
“Parece ser sua prioridade ver as crianças e mães de família na rua em vez de cumprir com sua obrigação de garantir políticas habitacionais pra população pobre. Ele quer acabar com o exemplo de luta dessas famílias, mas mostraremos para eles que com luta, com garra, a casa sai na marra!”, diz outro trecho do comunicado do Luta Popular.
E não é de se espantar que os mesmos que trabalham contra o direito a moradia na cidade também estão envolvidos em um escândalo de corrupção que está sendo investigado pela Justiça de mais de R$ 800 milhões em verba pública.
Todo apoio!
A CSP-Conlutas mostra sua solidariedade a todas as ocupações em Cajamar. A cidade que é polo logístico oferece uma infinidade de espaço para a construção de galpões para abrigar mercadorias.
Não há nenhum motivo, que não a falta de vontade política, para garantir casas de qualidade a todos trabalhadores que vivem em Cajamar. É por isso que estaremos na linha de frente nesse dia de mobilização.
“Convocamos todos aqueles e aquelas que defendem a vida em primeiro lugar! Pela terra, pela paz e pela moradia. Somente com o direito à terra para viver embaixo de um teto e dentro de uma casa, com salários decentes e acesso a serviços de transporte, saneamento, saúde e educação adequados e de qualidade podemos ter dignidade. A terra é para viver! Não para especular e vender!”, conclui a convocatória para o ato.