Cansados da intransigência da direção da USP (Universidade de São Paulo), que abandonou as negociações em meio à greve, os estudantes organizados ocuparam o prédio da reitoria, no Campus Butantã, na tarde da quinta-feira (7).
Os manifestantes passaram a madrugada no local de forma pacífica e exigem a retomada das mesas de negociação para o aumento no auxílio estudantil, melhorias nos restaurantes universitários e outras demandas.
A tropa de choque da Polícia Militar foi chamada para intimidar os estudantes e permanece cercando o prédio até a manhã desta sexta-feira (8). O clima é de tensão tendo em vida a brutalidade usual das forças de segurança comandada por Tarcísio de Freitas.
Parlamentares e vereadoras participaram de negociações durante a noite para evitar confronto entre policiais e estudantes, ainda assim a USP não enviou qualquer representante para conversar com os estudantes.
“A nossa ação é um pedido justo e legítimo frente à intransigência da Reitoria que unilateralmente fechou a mesa de negociação (…) a nossa reivindicação é justa e precisa ser atendida. Se a Reitoria quer acabar com a greve não será ignorando a mobilização”, informou o DCE Livre da USP em comunicado à imprensa.
O principal ponto de reivindicação dos estudantes é o reajuste no PAPFE (Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil) que atende 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Enquanto a USP apresentou uma proposta de apenas R$ 27 de reajuste. Os manifestantes exigem que o valor pago seja igual ao salário mínimo paulista, atualmente fixado em R$ 1.804.
“Nós aprovamos em assembleia que a luta iria seguir e esta ocupação já é uma vitória”, afirmou a estudante Ana Paula, integrante do coletivo Rebeldia, que é filiado à CSP-Conlutas.
“A nossa luta está repercutindo e a foi pra mídia que estamos comendo larvas no bandejão e que nossa universidade não tem moradia o suficiente”, conclui.
Greve
A greve dos estudantes da USP teve início em 15 de abril, juntamente com a paralisação realizada pelos servidores da universidade. Segundo o DCE, pelo menos 104 cursos estão com suas atividades paralisadas.
A ocupação ocorre em um cenário de luta dentro das universidades estaduais. Na segunda-feira (5), estudantes e trabalhadores das três universidades estaduais paulistas realizaram um ato unificado durante a reunião do Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas),
A categoria está em campanha salarial unificada e em luta em defesa da universidade pública, contra os projetos de privatização e terceirização comandados pelo governador bolsonarista Tarcísio de Freitas.
Unificar as lutas!
O momento exige cercamos de solidariedade à ocupação dos estudantes. Na próxima semana, a cidade de São Paulo poderá experienciar uma série de greves e atos conjuntamente.
Professores e servidores da rede municipal já estão em greve e tem assembleia e ato marcado para o dia 13. Na mesma data, os metroviários e metroviárias também poderão cruzar os braços na capital paulista.
O inimigo em comum é o governo de extrema direita de Tarcísio e seu projeto privatista que pune a população mais pobre e os filhos da classe trabalhadora com a restrição a direitos básicos como a educação. Por isso, todo apoio aos que lutam.