Durante fiscalização em uma fazenda na cidade de Itirapina, São Paulo, um servidor do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e famílias acampadas foram ameaçadas por um fazendeiro investigado por uso irregular de terra pública.
A fiscalização realizada na terça-feira (24) tinha por objeto determinar a existência ou não de uso privado da antiga Malha Ferroviária Federal, o que é proibido por lei. A área também é reivindicada para fins da reforma agrária.
Segundo relatos das famílias, não é a primeira vez que o fazendeiro faz ameaças e o Incra tem conhecimento do conflito, assim como a Superintendência de Patrimônio da União, desde 2017.
Nas imagens gravadas e disponibilizadas no instagram da CSP-Conlutas, é possível escutar o fazendeiro dizer, por mais de uma oportunidade, que “irá dar um tiro”. Os acampados também denunciaram que o agressor fez ameaças de atropelamento.
“Apesar dos corajosos e comprometidos servidores, a direção política e da SPU cumprem um papel lamentável. O problema foi noticiado aos órgãos federais em 2017. Inclusive, o Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar foi informado do suposto uso irregular de área pública em 21 de setembro de 2025, e também não resolveu o problema”, explica o advogado da CSP-Conlutas Waldemir Soares, que acompanha as famílias de agricultores.
A CSP Conlutas manifesta toda a solidariedade às famílias acampadas e ao servidor do INCRA e exige que o Governo Lula tome as medidas judiciais necessárias para garantir a segurança das famílias e do servidor.
Caso seja comprovado o uso irregular da área, é preciso que se faça imediatamente a reintegração de posse para criar um Assentamento da Reforma Agrária com as devidas responsabilidades cíveis e criminais.