Campanha Despejo Zero São Paulo, que reúne dezenas de movimentos por moradia, realizará uma grande plenária no sábado (28), a partir das 8h30, no Espaço Cultural Elza Soares, na capital paulista.
O Luta Popular, filiado a CSP-Conlutas, estará presente na atividade que irá debater uma série de temas importantes para a luta das ocupações urbanas e rurais, além de dar o pontapé inicial nas atividades organizativas em 2026.
A criminalização da luta, em especial das lideranças, a violência policial e da extrema direita nas comunidades e a necessidade de criar mecanismos de auto defesa estão na pauta que será discutida com os movimentos.
Outros temas são a desculpa do “risco” para justificar despejos, os despejos climáticos, e os problemas e limites das políticas públicas do município, estados e do governo federal. Todos estes temas serão debatidos pela manhã.
Após a pausa para o almoço, ocorrerá o debate em plenária sobre as discussões nos grupos, além da sistematização das propostas e encaminhamentos. Também será decidida uma nova data para um ato de rua em São Paulo.
“A rearticulação da campanha Despejo Zero em São Paulo é fundamental pra dar visibilidade e força ao movimento de luta pela moradia digna”, explica Vanessa Mendonça, da Executiva Nacional da CSP-Conlutas e liderança do Luta Popular moradora da Ocupação dos Queixadas, em Cajamar (SP).
Sobre a campanha
A Campanha Despejo Zero surgiu no contexto da pandemia de Covid-19 e da necessidade de cobrar das autoridades o fim das remoções forçadas e reintegrações de posse durante a crise sanitária que matou ao menos 700 mil brasileiros.
A organização foi fundamental para a construção da ADPF 828 – uma decisão do STF (Superior Tribunal Federal) que impediu despejos durante o período de junho de 2021 a outubro de 2022.
Neste período, movimentos populares por moradia de todo o país também organizaram diversas manifestações de rua. Agora, o grupo aproveita da experiência acumulada para desenvolver novas lutas por moradia digna.
“A questão dos despejos é um problema grave que afeta cerca de 2 milhões de famílias, especialmente as mulheres pretas e crianças. Rearticular essa campanha significa unir forças e pressionar os governantes, mesmo sabendo que estão pra governar para os de cima e não pra nossa classe, mas é necessário esta unidade de ação para exigir que sejam tomadas decisões com medidas efetivas contra os despejos e pela garantia do direito à moradia”, conclui Vanessa.