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Com trabalhadoras na linha de frente, greve na Fusam, em Caçapava, completa 10 dias

Os servidores da Fusam (Fundação de Saúde e Assistência Médica de Caçapava) estão liderando a maior greve da história de 111 anos da instituição. Com uma maioria de mulheres na linha de frente, já são 10 dias com os braços cruzados, na luta por direitos e por melhores condições de trabalho.

A mobilização teve início no último dia 3/11 depois que o prefeito de Caçapava Yan Lopes (Podemos) decidiu cortar a refeição fornecida pelo hospital – um direito garantido desde a criação da entidade e uma necessidade, já que os servidores cumprem jornadas de 12 horas cuidando e salvando vidas. 

O ataque à categoria também reduziu o vale-alimentação, ferindo o acordo coletivo de trabalho firmado em abril, entre a Prefeitura e o Sindserv-CPV (Sindicato dos Servidores Municipais de Caçapava e Jambeiro), filiado à CSP-Conlutas.

“Essa é uma greve liderada principalmente pelas mulheres. Muitas foram linha de frente no combate à pandemia de Covid-19. Algumas estão fazendo pela primeira vez na vida uma greve e estão todas muito firmes, porque têm clareza de que lutam por seus direitos”, explica Antônio Macapá, da Executiva Estadual São Paulo. 

Na terça-feira (11), as servidoras e servidores deram uma amostra da força da categoria com um ato na Câmara Municipal. O objetivo era chamar a atenção dos vereadores e cobrar do poder público o envolvimento no caso.

Macapá explica que as redes sociais têm garantido o sucesso da greve e sua divulgação na cidade, algo fundamental para ganhar também o apoio incondicional da população, uma vez que a Fusam é o único hospital público de Caçapava e é alvo de constantes reclamações diante da situação precária de atendimento, com equipamentos em más condições de manutenção, falta de medicamentos e pessoal insuficiente.

Prefeitura intransigente

Uma rodada de negociação entre o Paço Municipal e o sindicato ocorreu na tarde da terça. No entanto, o prefeito, que ficou fora da cidade em viagem ao Exterior, seguiu com sua intransigência e manteve a decisão que, literalmente, tira o prato de comida das mãos das trabalhadoras que, em sua maioria, recebem baixos salários.

A greve é uma questão de necessidade, tendo em vista que a Prefeitura segue agindo de forma autoritária, desde o corte do benefício, e as trabalhadoras garantem que só voltam a trabalhar com a retomada do fornecimento do almoço.

Ainda não há uma data para uma nova reunião de negociação, nem de uma decisão judicial sobre o caso, mas as servidores e servidores avisam que a luta irá continuar e novos atos e mobilizações deverão ocorrer nos próximos dias.

Todo apoio!

A CSP-Conlutas apoia integralmente esta mobilização que deve ser exemplo para os trabalhadores de todo o país. Direitos básicos não se negocia, então a greve é a única solução para se obter a vitória.

Servidor na rua, prefeito, a culpa é sua!

Yan, cumpra o acordo coletivo e respeite os servidores da Fusam!

A população exige saúde pública de qualidade: novos equipamentos, ambulância e investimento em insumos!

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