Iniciativas de mobilização popular que tragam à tona reivindicações justas e urgentes da classe trabalhadora são sempre muito importantes e necessárias. Nesse sentido, é muito progressivo o Plebiscito Popular que busca abrir o debate sobre o fim da escala 6×1, a redução da jornada de trabalho e a necessidade sobre justiça tributária, exigindo que os bilionários paguem mais impostos para aliviar as cobranças sobre os trabalhadores.
Essas são reivindicações fundamentais e a CSP-Conlutas apoia que esses temas sejam levados às ruas, fábricas, escolas e periferias, ampliando a consciência de classe e a organização da luta.
No entanto, é preciso ressaltar: não é possível fazer esse debate de forma desconectada da realidade política que enfrentamos. Essas pautas não avançarão se não forem acompanhadas de uma clara exigência diante da política econômica do governo Lula-Alckmin.
O Arcabouço Fiscal, criado e defendido pelo próprio governo, é hoje o maior entrave para a garantia de direitos sociais no país. É essa política que tem imposto um brutal limite nos investimentos públicos para que sobre mais dinheiro ao pagamento da Dívida Pública. Uma dívida, alimentada por mecanismos fraudulentos, que enriquece banqueiros e penaliza a maioria da população.
Recentemente, o governo anunciou novos cortes nos orçamentos da saúde, educação e outras áreas essenciais. Tudo isso para cumprir as metas do arcabouço. É uma escolha política: o governo segue tirando do povo para entregar aos bancos.
Por isso, é fundamental que o Plebiscito Popular inclua em suas perguntas a questão do fim do arcabouço fiscal, da suspensão do pagamento da Dívida Pública e das privatizações. Sem abordar esses temas, a mobilização corre o risco de se tornar inócua, incapaz de enfrentar os verdadeiros obstáculos às pautas que pretende defender.
Ao não colocar em debate as consequências do arcabouço fiscal e explicitar o papel do governo nos ataques aos trabalhadores, abre-se espaço para que a extrema direita apareça como única crítica ao sistema, mesmo representando um projeto ainda mais destrutivo para os pobres.
A política econômica do governo, somada à desindustrialização e ao avanço predatório do imperialismo – seja dos EUA, Europa e, agora, da China -, mantém o Brasil em um ciclo de subordinação e saque de suas riquezas. Enquanto os lucros das 250 maiores empresas do país forem intocáveis, e enquanto o orçamento seguir sendo drenado pelos banqueiros, não haverá espaço real para mudanças de fundo.
Só uma ruptura com esse modelo poderá mudar o patamar do país. Isso exige enfrentamento direto à burguesia e ao imperialismo, e a construção de uma alternativa política da classe trabalhadora, independente dos patrões e governos.
É por isso que, para a CSP-Conlutas, a luta por essas reivindicações populares precisa ser um ponto de partida para algo maior: a construção de uma alternativa política da classe trabalhadora, que rompa com a subordinação aos interesses da burguesia. Uma alternativa socialista, que organize os trabalhadores para tomar nas mãos o controle da riqueza nacional e colocá-la a serviço do povo.
Que o plebiscito seja, portanto, não só um instrumento de denúncia das injustiças, mas também um passo na construção de uma saída própria e independente dos trabalhadores.
Um Plebiscito Nacional com mais perguntas
Por tudo isso, a CSP-Conlutas também realizará o Plebiscito Popular, com cédulas que incluem a consulta sobre outros temas relevantes.
Além das perguntas sobre o fim da escala 6×1 e a taxação dos bilionários, vamos incluir uma terceira pergunta central sobre o arcabouço fiscal.
Além disso, poderão ser incluidas mais duas, sendo como sugestão uma sobre privatizações e outra sobre a necessidade do Brasil romper as relações com Israel, que está realizando um verdadeiro genocídio do povo palestino e o Brasil não pode ser cúmplice desta atrocidade.
Nossas entidades e movimentos filiados podem adequar a cédula, substituindo as duas últimas questões extras por um tema específico da categoria ou setor, que seja mais reivindicado e urgente. Com o cuidado para não aumentar o número de questões e dificultar a campanha.
Façamos do Plebiscito um mecanismo para aprofundar o debate com a classe trabalhadora e avançar a construção de uma mobilização nacional, com organização pela base e independência, para enfrentar os ataques dos governos e defender as reivindicações da nossa classe.
Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas
São Paulo, 18 de julho de 2025