A guerra contra pretos e pobres que as forças de “in-segurança pública” de São Paulo protagonizam deixou mais uma vítima fatal. Jovem, negro e trabalhador, Guilherme Ferreira, de apenas 26 anos, foi executado ao sair do trabalho, na sexta-feira (4).
O assassino é o policial Fábio Anderson Pereira de Almeida, que estava à paisana, e havia acabado de reagir a uma tentativa de roubo. O tiro contra o inocente foi dado na cabeça, para que não houvesse nenhuma chance de sobrevivência.
O PM alega é claro que “confundiu” a vítima com um dos assaltantes, mas o fato é que Guilherme corria para pegar o ônibus, já perto das 23h. “Um erro” fatal, afinal, para a PM de SP, preto correndo é automaticamente visto como bandido.
Em casa, sua esposa o esperava, adormecida, e foi dar conta da ausência do marido durante a madrugada. Acionado pela cunhada, o irmão da vítima, Mateus, saiu de bicicleta à procura de Guilherme. O encontrou já sem vida e cercado por policiais próximo à fábrica em que trabalhava como marceneiro, em Parelheiros, na Zona Sul.
Mateus reconheceu Guilherme pelo tênis que o irmão usava, já que o corpo havia sido coberto. O celular de Guilherme ainda tocava com famíliares tentando contato. Ele também carregava consigo uma marmita, os documentos na carteira e um livro.
Nunca é por engano
O policial atirador foi detido em flagrante, mas por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Após pagar uma fiança de R$ 6,5 mil, ele foi liberado e responderá ao processo em liberdade.
O procedimento causa espanto, afinal de contas Guilherme foi executado com um disparo pelas costas e na cabeça, ou seja, o assassino não tinha qualquer certeza sobre a identidade da vítima, apenas sabia se tratar de uma pessoa negra.
O assassino foi afastado das ruas e fará trabalho administrativo. Ele fará companhia a outros dois PMs do mesmo batalhão afastados após a morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, 22, em novembro do ano passado.
Fora Derrite, já!
O agravamento dos casos de violência policial é marca da gestão Tarcísio. O número de mortes provocadas pela PM, entre 2022 e 2024, aumentou 153%, segundo o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública).
Além do racismo e da ideologia de extrema direita que permeia o governo do estado, um outro elemento explica essa matança: a figura de Guilherme Derrite, ex-policial da ROTA, como Secretário de Segurança Pública.
Conhecido defensor da violência, Derrite chancela este tipo de atitude nas forças policiais e, por isso, é alvo de uma campanha que pede sua saída imediata do cargo. A CSP-Conlutas faz parte deste esforço coletivo de diferentes organizações.
É fundamental que seja cobrada uma punição para os crimes praticados pela PM e, principalmente, que sejam responsabilizados políticos e os gestores dessa violência que atinge principalmente a parcela mais vulnerável da população. Fora Derrite, já! Tarcísio é inimigo do povo pobre!