Os trabalhadores da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) vão cruzar os braços, na madrugada da quarta-feira (26), em protesto contra os planos do governador Tarcísio de Freitas de aprofundar a privatização do setor.
O governo de São Paulo quer entregar as linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade à iniciativa privada em um leilão previsto para a sexta-feira (28). O plano da categoria é impedir a realização da venda e obter garantias que as linhas permanecerão estatais.
Já na terça-feira (25), os trabalhadores aquecem a temperatura da mobilização com uma manifestação em frente à bolsa de valores, a partir das 9h. O movimento grevista também afirma que não aceitará demissões e/ou represálias ao direito de protesto.
Desde que assumiu o cargo, o bolsonarista Tarcísio de Freitas tem trabalhado incansavelmente para entregar as riquezas do estado para as mãos de seus amigos empresários explorarem.
Foi assim com a Sabesp, a maior concessionária de água e esgoto da América Latina. Seus planos de vender tudo também ocorrem visando o Metrô e no setor da educação, com o avanço do projeto que entregou a administração de 33 escolas estaduais à iniciativa privada.
“A luta contra a privatização da CPTM, está chegando no momento mais dramático. O governo Tarcísio pôs para leilão 3 linhas do setor Leste nesta semana, as linhas 11, 12 e 13. E já estão privatizadas as linhas 7, 8 e 9, que pioraram bastante. Sendo assim, sobraria só a linha 10 estatal”, explica Altino Prazeres, metroviário e integrante da Executiva Nacional da CSP-Conlutas.
“A privatização através da concessão do transporte público significa encher grandes grupos empresariais de dinheiro pelas tarifas mais altas, pela diminuição dos salários, da quantidade de funcionários e da qualificação, ou seja, lucro ao máximo. Mas tem uma outra forma de enriquecer estes grupos empresariais amigos do governador como a CCR, despejar muita grana do estado via subsídio, que é o que está acontecendo com as linhas privadas. Não é à toa que saiu da CCR novos cinco bilionários nestes últimos anos. O famoso Robin Hood ao contrário, tira dos pobres para dar para os ricos amigos dos políticos no poder”, alerta.
Pior para o povo
As consequências diretas do saldão que Tarcísio promove não demoraram a ser sentidas. No transporte sobre trilhos, as falhas apresentadas pelas linhas privatizadas levaram o Ministério Público a instaurar um inquérito civil.
As inúmeras falhas apuradas, acidentes e o risco que a operação das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda causam a vida do paulistano fizeram com que o órgão público sugerisse o rompimento de contrato com a operadora ViaMobilidade.
Já com a Sabesp o prejuízo é escancarado com o desmantelamento das tarifas sociais. Pessoas de baixa renda, que pagavam cerca de R$ 70 na conta de água, começaram a receber cobranças de R$ 500.
Serviços básicos, como a água, são direito de todos e devem ser oferecidos com justiça e isonomia. Não podem, em hipótese alguma, virar mercadoria. Diversas cidades ao redor do mundo já perceberam que a privatização da água é um erro e voltaram atrás.
Todo apoio à greve
A CSP-Conlutas esteve sempre na linha de frente da luta contra as privatizações em São Paulo e no Brasil. É importante que nossas entidades filiadas fortaleçam a luta por um transporte público, gratuito e de qualidade.