Moradores de uma ocupação na Vila Jaguari, região oeste de São Paulo, têm lidado com a violência policial constantemente. Sem qualquer ordem judicial, os agentes invadem o território, ameaçam os moradores e vandalizam pertences pessoais.
Temendo desdobramentos dessa grave situação, os ocupantes procuraram o movimento Luta Popular, filiado a CSP-Conlutas, que enviou uma delegação ao território nesta sexta-feira (14), para averiguar e fortalecer a mobilização das famílias.
Daniel, morador da ocupação, explicou que os mesmos PMs têm feito incursões constantes na comunidade. O modo de agir é sempre igual: eles entram quebrando portas dos barracos e destruindo parte da infraestrutura, como a iluminação.
A atitude violenta também é direcionada aos moradores. Diversas ameaças já foram feitas, sejam de prisão ou mais violência. Há cerca de 3 dias uma dupla de policiais à paisana também visitou as imediações assediando aqueles que passavam pelo local.
“Não tem mandado de reintegração de posse, nem qualquer denúncia. Eles chegam mandando todo mundo sair. Tratando todo mundo como lixo. Eu tive de sair correndo com meu filho de seis anos”, explica Daniel.
O terreno ocupado possui dívidas de IPTU na casa dos R$ 500 mil e está abandonado há cerca de 10 anos, segundo os moradores. Como não há qualquer pedido de reintegração de posse, a ação policial não é apenas descabida, mas ilegal.
A suspeita dos moradores é de que algum interessado no terreno esteja contando com a ajuda dos policiais para incutir medo nas pessoas e assim fazer com que elas abandonem a ocupação.
“A gente fica com medo de eles efetuarem algum disparo a noite, acabar acertando alguém e acontecer uma fatalidade. Nós não estamos aqui pra prejudicar ninguém. Estamos aqui querendo melhorar de vida”, explica Daniel.
O barraco que Daniel divide com sua esposa e filhos foi um dos alvos da violência da PM. O teto da moradia foi rasgado em diversos pontos o que permitiu que a água da chuva entrasse molhando roupas e um colchão.
Uso social da terra
A ocupação e o destino do terreno para moradia já atende ao uso social da terra. Antes dos moradores estabelecerem a comunidade, o ponto era frequentemente utilizado por usuário de drogas, o que já não mais ocorre.
Além disso, os moradores também encontraram um poço aberto com centenas de larvas de mosquitos transmissores da dengue. Agora que o terreno não está mais abandonado o problema foi resolvido.
“Eu vim porque eu preciso de uma moradia. Eu tenho duas filhas”, explica Nazaré Costa de Melo, que trabalha como cuidadora de idosos em Perdizes e também sofre com a violência policial por ser uma moradora de ocupação.
“Não é justo que isso aqui fique abandonado ou seja demolido com tantas pessoas precisando de um lugar pra ficar. Nosso foco é moradia, nós temos umas vinte crianças aqui. Todos estão com o mesmo propósito”.
Toda solidariedade
A CSP-Conlutas e o Movimento Luta Popular declaram toda solidariedade aos moradores da ocupação e se disponibilizam a fortalecer a luta com diversas iniciativas que visam proteger as famílias e garantir dignidade à todos.
As ocupações são experiências concretas de que o trabalhador organizado pode construir seu território de forma democrática e classista. Todo apoio aos companheiros e companheiras!