As trabalhadoras brasileiras, de norte a sul do país, realizaram importantes manifestações de rua no sábado (8), Dia Internacional de Luta das Mulheres. A CSP-Conlutas marcou presença nos protestos e outras atividades que ocorreram ao longo da data.
A denúncia do machismo, da violência e desigualdade, mais um vez deram o tom dos discursos e das mensagens nas faixas e cartazes, mas neste ano, outras pautas importantes para as mulheres também tiveram destaque.
Em vários estados, as mobilizações pelo 8M também evidenciaram a necessidade de acabar com a escala 6×1 no Brasil. O regime que praticamente não oferece dias de folga penaliza principalmente às mulheres pretas e periféricas.
“A situação da mulher não está nada fácil. A inflação dos alimentos está corroendo nosso salário e somos nós que estamos nos piores postos de trabalho. Por isso, hoje também estamos protestando contra a escala 6×1”, discursou a Profª Lorena, da CST, durante ato na Av. Paulista, em São Paulo.
“Além desta precarização, nós temos de enfrentar a violência machista todos os dias. A cada 6 horas uma mulher é assassinada por um homem neste país. Assim como ocorreu com a jovem Vitória, quando voltava do trabalho, acrescenta.
O caso citado por Lorena estampou inúmeros cartazes no ato em São Paulo. A adolescente Vitória Regina, de 17 anos, foi sequestrada, torturada e morta na última semana. O crime que choca o estado ainda está sob investigação, mas o componente machista é óbvio.
A integrante da Executiva Estadual São Paulo da CSP-Conlutas, Profª Grazi Rodrigues, do Movimento Nossa Classe Educação e MRT (Movimento Revolucionário de Trabalhadores) também denunciou a violência no caminhão de som na capital paulista.
“Eu quero começar denunciando uma polícia machista que, durante o Carnaval, estuprou uma menina dentro da viatura. A mesma polícia racista que assassina diariamente os filhos das mulheres de nossa classe e colocam mães pretas de luto cotidianamente”, afirma.
“Embora os capitalistas queiram nos empurrar a crise e ter controle de nosso corpo, temos de nos apoiar na força da mulher trabalhadora. Somos a parcela da classe que é capaz de fazer o mundo funcionar. É essa força que vai colocar a luta de classe em cena”.
Além disso, muitas se manifestaram contra qualquer anistia àqueles que tentaram aplicar um golpe de estado em janeiro de 2022. Os gritos pedindo a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro foram bastante presentes nas ruas.
Houve também protestos pelo direito ao Aborto Legal gratuito e contra os projetos de lei que atacam os direitos reprodutivos das mulheres no Congresso, em especial, o PL 1904, que compara o aborto ao crime de homicídio.
Solidariedade Internacional
A solidariedade internacional entre as trabalhadoras também marcou o 8 de março pelo Brasil. Nossa Central evidenciou a necessidade de apoiarmos as lutas das mulheres palestinas, ucranianas e argentinas, em especial.
Marcela Azevedo, do Movimento Mulheres em Luta, trouxe a questão a tona em sua fala durante a passeata realizada em Porto Alegre.
“Estamos enfrentando governos reacionários em vários países. As palestinas enfrentam um genocídio cometido por Israel. Já Trump, nos EUA, mostra a cara nefasta do liberalismo conservador, perseguindo mulheres, migrantes e LGBTs, estes são os representantes da ultra direita”, discursou.
Nas fábricas e comunidades
Além das mobilizações de rua, a CSP-Conlutas também esteve presente em outras atividades por intermédio de suas organizações filiadas.
O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, por exemplo, realizou assembleias dedicadas à data nas principais empresas do setor no Vale do Paraíba, interior de São Paulo.
As mulheres das ocupações urbanas organizadas pelo Luta Popular também se mobilizaram. Em São Paulo, as Ocupações Queixadas, Manchester e Esperança foram pra rua pra exigir o fim de todos os tipos de violência.
“Hoje saímos as ruas para denunciar todas as violências que estamos sofrendo. Isso é responsabilidade do estado, que não garante segurança pra gente. Ser mulher é tentar sobreviver todos os momentos da vida. Estamos cansadas de morrer e queremos políticas públicas”, afirma Vanessa Mendonça, liderança da ocupação dos Queixadas.
Cobranças aos governos
Em diferentes mobilizações, houve cobranças aos governos nas três esferas.Além de governadores e prefeitos, também foi exigido do governo Lula a garantia de que as mulheres brasileiras tenham seus direitos respeitados.
Além disso, foi denunciada a política do Arcabouço Fiscal que prejudica as mulheres com o corte de gastos em Saúde e Educação, além de limitar o orçamento dedicado às ações de proteção às mulheres.